Raízen | Recuperação Extrajudicial

Última atualização: 10/06/2026.

Situação atual

Em 10 de março de 2026, o Grupo Raízen assinou o Plano de Recuperação Extrajudicial (RE). Em 12 de março de 2026, a Opea Securitizadora comunicou a configuração do Vencimento Antecipado Automático das Emissões de CRA da Opea.

Em 13 de março de 2026, foram contratados os assessores legais (Felsberg Advogados) e financeiro (Journey Capital) pela Opea para defesa dos titulares dos CRA, sem custo para os investidores.

Em 03 de junho de 2026, os titulares de CRA das cinco emissões aprovaram o Plano de Recuperação Extrajudicial da Raízen em assembleias realizadas pela plataforma Ten Meeting. O plano foi protocolado nos autos em 05 de junho de 2026. Em 08 de junho de 2026, a condição resolutiva foi cumprida com a ratificação pelos credores signatários e a adesão da Opea ao plano tornou-se irrevogável e irretratável nos termos do art. 161, §5º, da Lei 11.101/05.

A próxima etapa é a homologação judicial pelo TJSP.

As assembleias listadas abaixo são a reabertura das assembleias suspensas em 08/06 para deliberação das matérias que permaneceram em aberto.

EmissãoSérie(s)IFData da assembleiaHorárioLink para adesão
2ª emissão2ª sérieCRA019000GT15 de julho de 202610:00https://assembleia.ten.com.br/413281201
6ª emissão1ª e 2ª sériesCRA019003V2   /   CRA019003V315 de julho de 202614:00https://assembleia.ten.com.br/069892761
38ª emissão1ª e 2ª sériesCRA022008NB   /   CRA022008ND15 de julho de 202616:00https://assembleia.ten.com.br/994349297
10ª emissão1ª e 2ª sériesCRA020001P7   /   CRA020001P816 de julho de 202610:00https://assembleia.ten.com.br/917783841
73ª emissão1ª, 2ª e 3ª sériesCRA02300JR5   /   CRA02300JR6   /   CRA02300JR716 de julho de 202614:00https://assembleia.ten.com.br/116002018

Quanto tenho investido e o que vou receber

Para identificar sua emissão, acesse o extrato da sua corretora ou banco e localize o CRA da Raízen na sua carteira. Ele estará identificado por um código — geralmente exibido como o código IF (que começa com "CRA") ou o código ISIN (que começa com "BR"). Esses são os padrões oficiais de identificação de ativos no Brasil.

Localize esse código na tabela abaixo e encontre a linha correspondente à sua emissão e série. Se a sua corretora exibir apenas um nome descritivo como "CRA Raízen" sem o código, procure nas informações detalhadas do ativo ou entre em contato com o suporte da corretora pedindo o código IF ou ISIN.

IFISINCódigo OpeaEmissãoSérieQtd. IntegralizadaAgente FiduciárioPU em 11/03/2026Saldo Devedor
CRA019000GTBRRBRACRA0F0CRA.2.CIA.222600.000Planner1.511,05286906.631.721,30
CRA019003V2BRAPCSCRA0M6CRA.6.TRU.161228.190Planner1.020,06022232.891.216,02
CRA019003V3BRAPCSCRA0N4CRA.6.TRU.262787.658Planner1.465,624931.154.411.204,51
CRA020001P7BRAPCSCRA0T1CRA.10.TRU.1101352.426Pentágono1.423,66322501.735.936,84
CRA020001P8BRAPCSCRA0U9CRA.10.TRU.2102728.056Pentágono1.424,905291.037.410.857,60
CRA022008NBBRAPCSCRA1B7CRA.38.TRU.13811.060.000Pentágono1.210,852581.283.503.740,29
CRA022008NDBRAPCSCRA1C5CRA.38.TRU.2382940.000Pentágono1.211,817431.139.108.386,27
CRA02300JR5BRAPCSCRA1Y9CRA.73.TRU.1731192.320Pentágono1.136,23388218.820.500,26
CRA02300JR6BRAPCSCRA1Z6CRA.73.TRU.2732265.014Pentágono1.137,26755301.391.825,14
CRA02300JR7BRAPCSCRA207CRA.73.TRU.3733542.666Pentágono1.047,06255568.205.249,56

Como calcular o seu crédito:

Multiplique a quantidade de unidades que você possui pelo PU da sua série conforme a tabela. Esse resultado é o valor do seu crédito para fins do plano.

Exemplo: 10 unidades do CRA020001P7 × R$ 1.423,66 = R$ 14.236,60 de crédito.

Esse valor também determina qual opção de recebimento se aplica a você: crédito de até R$ 13.000 nessa emissão significa Opção C (pagamento em dinheiro). Acima de R$ 13.000, Opção A (novos títulos e ações). Se você tiver CRA em mais de uma emissão, o cálculo é feito separadamente para cada uma.

O Plano de Recuperação Extrajudicial foi aprovado nas assembleias de titulares de CRA em 03 de junho de 2026 e ratificado em 08 de junho.

O plano completo foi assinado pelas partes em 05 de junho e protocolado nos autos do processo.

Em linhas gerais, o plano prevê três coisas:

A separação da Raízen em duas empresas independentes. Hoje a Raízen opera em dois negócios principais: distribuição de combustíveis com a marca Shell, e produção de etanol, açúcar e bioenergia. Pelo plano, esses dois negócios serão separados em duas companhias distintas, cada uma com sua própria dívida e sem garantia cruzada entre elas. A empresa de combustíveis continuará se chamando Raízen S.A. A empresa de etanol e energia se chamará Raízen Energia S.A.

A substituição da dívida atual por novos instrumentos. Em linguagem técnica, isso se chama novação: a dívida que a Raízen tem hoje com seus credores — incluindo os detentores de CRA — é extinta e substituída por novas obrigações com condições reestruturadas. Na prática, o CRA que você tem hoje deixará de existir nos seus termos originais e será substituído por novos instrumentos financeiros, conforme a opção de recebimento que se aplicar ao seu caso. Isso não significa perda automática: significa que a forma e o prazo de recebimento mudam.

Uma injeção de capital novo. A Shell aportará R$ 3,5 bilhões e a Aguassanta Investimentos S.A., controlada pela Cosan, poderá aportar até R$ 500 milhões adicionais para fortalecer o caixa das novas companhias após a reestruturação.

Além dessas três medidas, o plano também prevê, como condição para entrar em vigor, que a Raízen formalize uma transação tributária com a Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Essa negociação, que já estava em curso quando o plano foi protocolado, tem como objetivo resolver ou renegociar dívidas tributárias federais do grupo. A conclusão desse acordo é uma das condições que precisam ser cumpridas antes que o plano produza seus efeitos financeiros e os novos instrumentos sejam emitidos. Enquanto ela não for concluída, o cronograma de implementação permanece em aberto.

As condições específicas de recebimento para os titulares de CRA estão descritas na pergunta seguinte.

O plano prevê três formas de recebimento. Os titulares de CRA da Opea serão enquadrados na Opção C ou na Opção A, conforme o valor do crédito em cada emissão. A Opção B não será aplicada a nenhum investidor de CRA da Opea.

Opção A — Novos títulos de dívida e ações

Para investidores com crédito superior a R$ 13 mil na emissão.

55% do crédito vira novos títulos de dívida emitidos pelas duas novas companhias, com as seguintes características:

Os títulos da Raízen Energia (etanol, açúcar e bioenergia) serão emitidos como novos CRA, com isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, e vencem em 2033 e 2035. Os títulos da Raízen Combustíveis (distribuição de combustíveis) serão emitidos como debêntures, sem isenção fiscal, e vencem em 2032 e 2034. Os juros são pagos semestralmente, em março e setembro. Nos três primeiros anos, caso a Raízen não pague os juros no vencimento, eles podem ser incorporados ao saldo devedor em vez de gerar inadimplência — esse mecanismo se chama capitalização de juros.

Os 45% restantes do crédito são convertidos em ações (Units) da Raízen S.A., ao preço de R$ 0,25 por ação. Essas ações ficam sujeitas a um período de restrição de venda de até 12 meses após a emissão (lock-up).

Opção C — Pagamento em dinheiro

Para investidores com crédito de até R$ 13 mil na emissão.

O pagamento é feito em dinheiro, em parcela única, no valor equivalente ao menor entre 75% do seu crédito e R$ 9.750. O pagamento ocorre na Data de Fechamento do plano. Não há uma data garantida: o fechamento depende da homologação judicial e do cumprimento de outras condições previstas no plano, como a aprovação do plano de separação das duas novas empresas e a formalização da transação tributária.

Existe um teto global de R$ 150 milhões reservado para essa opção. Se o total de pagamentos ultrapassar esse valor, a fila prioriza quem tem créditos menores. Quem não for alocado na Opção C dentro do teto global passará para a Opção A.

Opção B — apenas para contexto

Prevê o recebimento de 20% do crédito em parcela única, com vencimento em 2047, corrigido pela Taxa Referencial. Os outros 80% são perdidos. Essa opção não será aplicada a nenhum investidor de CRA da Opea.

Duas informações importantes:

• O limite de R$ 13 mil é apurado por emissão, não por série nem por CPF. Se você tem posições em séries diferentes da mesma emissão, os valores são somados para fins do limite. Se você tem CRA em emissões diferentes, cada emissão é avaliada separadamente e pode receber pela Opção C de forma independente.

• O valor de referência para todos os cálculos é o saldo devedor apurado em 11 de março de 2026, data do protocolo da RE, com base na curva original da emissão. O preço pago no mercado secundário não é considerado.

O plano prevê um prazo específico para a eleição das opções de pagamento, que ainda não foi iniciado. Não há nenhuma decisão a tomar neste momento.

O que você já pode saber desde agora é que o plano estabelece critérios objetivos para o enquadramento: investidores com crédito de até R$ 13 mil em uma determinada emissão são elegíveis à Opção C, com pagamento em dinheiro. Investidores com crédito superior a R$ 13 mil são enquadrados na Opção A, com recebimento de novos títulos e ações. Esse limite é calculado por emissão, não por CPF.

Quando o prazo de eleição se aproximar, a Opea publicará Fato Relevante com todas as informações e instruções necessárias e, se for o caso, convocará uma assembleia de titulares para deliberação. Você terá tempo e informação suficientes antes de precisar tomar qualquer decisão.

Nenhum investidor de CRA da Opea será enquadrado na Opção B.

O seu CRA continua registrado normalmente na sua conta na corretora ou banco enquanto o plano segue para homologação judicial e as condições previstas para entrada em vigor são cumpridas. Nada muda na sua posição até que a Data de Fechamento ocorra.

Quando a Data de Fechamento se aproximar, o plano prevê as seguintes etapas:

Primeiro, a B3 bloqueará os CRA nos seus sistemas de custódia. Isso significa que, por um período de até 120 dias, você não conseguirá vender ou transferir o seu CRA. O bloqueio é automático, autorizado pelo próprio plano, e serve para viabilizar a troca dos títulos de forma organizada para todos os investidores ao mesmo tempo.

Em seguida, na Data de Fechamento, ocorre a substituição.

Para quem está na Opção C, o CRA é resgatado e o valor em dinheiro correspondente é creditado na sua conta.

Para quem está na Opção A, o CRA é resgatado e os novos instrumentos — novos CRA da Raízen Energia, debêntures da Raízen Combustíveis e ações (Units) da Raízen S.A. — são distribuídos automaticamente pela B3 para a sua conta na corretora ou banco.

O prazo para que tudo isso ocorra depende do cumprimento das condições previstas no plano. Se alguma delas demorar mais do que o esperado, a Data de Fechamento e o recebimento pelos investidores serão postergados. Não há data garantida neste momento.

Não é necessário fazer nada: a distribuição ocorre de forma automática com base na posição registrada.

As ações recebidas ficam sujeitas a um período adicional de restrição de venda de até 12 meses após a emissão.

A Opea comunicará com antecedência, por meio de Fato Relevante, quando o bloqueio se aproximar e quais os passos operacionais que os investidores precisarão acompanhar junto às suas corretoras ou bancos.

Não. O cronograma original foi cancelado com o vencimento antecipado. O recebimento ocorrerá conforme os termos do plano aprovado, após a homologação e o cumprimento das condições para entrada em vigor. Para investidores na Opção C, o pagamento ocorre na Data de Fechamento. Para investidores na Opção A, os novos títulos são emitidos na mesma data.

O processo: o que aconteceu

O vencimento antecipado significa que toda a dívida passou a ser exigível imediatamente, antes da data prevista no cronograma original. Nesta operação, o vencimento antecipado é automático: o Termo de Securitização prevê que o simples pedido de Recuperação Extrajudicial pela devedora ou pela fiadora já configura o evento, independentemente de deferimento judicial.

Em 12 de março de 2026, a Opea confirmou que o pedido de RE da Raízen Energia S.A. acionou esse gatilho nos termos do Termo de Securitização de cada emissão.

Com a configuração do Vencimento Antecipado Automático, o cronograma original de pagamentos — amortizações e juros nas datas previstas — deixa de existir. O Valor Unitário (PU) do CRA, que até então era atualizado diariamente pela incidência dos juros remuneratórios contratados, passa a refletir o saldo devedor integral apurado na data do inadimplemento, sem novas atualizações pela curva original até a conclusão da RE.

A RE é um mecanismo da Lei de Falências (Lei 11.101/2005, atualizada pela Lei 14.112/2020) que permite à empresa reestruturar sua dívida financeira quirografária (sem garantia real) negociando diretamente com os credores, com supervisão judicial, mas sem a rigidez de uma Recuperação Judicial. O processo ocorreu em duas etapas: na primeira, foi obtida a suspensão de 180 dias e iniciado o período de negociação. Na segunda, o Plano Atualizado foi negociado com os credores, apresentado ao juízo e aprovado nas assembleias de junho de 2026.

O stay period se aplica automaticamente por 180 dias corridos a partir do protocolo. Durante esse período:

• Execuções ajuizadas contra as recuperandas ficam suspensas.

• Ordens de arresto, penhora, sequestro e constrição sobre bens das devedoras ficam suspensas.

• Os credores sujeitos (incluindo os titulares de CRA via Opea) ficam proibidos de adotar qualquer medida de cobrança, compensação ou constrição — seja no Brasil ou no exterior.

• Ficam suspensos imediatamente os pagamentos de juros e principal das dívidas financeiras quirografárias (bonds, CRAs e debêntures).

O que o stay period NÃO impede: a declaração do vencimento antecipado (que já ocorreu), a contratação de assessores, a convocação de assembleias e as negociações do Plano Atualizado. Também não afeta fornecedores, clientes, revendedores e outros parceiros operacionais da Raízen.

Em 03 de junho de 2026, foram realizadas assembleias de titulares de CRA de todas as emissões. Em 08 de junho, as assembleias foram reabertas para deliberação sobre a versão final do plano protocolada nos autos. Entre os titulares presentes, a maioria votou pela aprovação do Plano de Recuperação Extrajudicial. O quórum exigido pelo Termo de Securitização foi atingido, de forma que a aprovação é válida. A partir desse momento, a Opea está formalmente comprometida com os termos do plano, sem possibilidade de recuar.

O plano segue agora para homologação judicial pelo TJSP, que é a etapa em que o juiz confirma formalmente o que os credores aprovaram.

O processo: o que vem a seguir

As assembleias de julho são a reabertura das assembleias suspensas em 08 de junho de 2026. O objeto principal é a ratificação formal dos atos praticados pela Opea, pelo Assessor Legal e pelo Assessor Financeiro no âmbito da Recuperação Extrajudicial desde a última assembleia. Não haverá deliberação sobre opções de pagamento nessas assembleias.

As assembleias serão realizadas de forma exclusivamente digital, pela plataforma Ten Meeting. Para participar:

• Acesse o link de inscrição da sua emissão (divulgado no edital de convocação e na página da emissão no site da Opea) e no resumo acima.

• Preencha o cadastro e envie os documentos de habilitação até 2 dias antes da assembleia.

• Pessoa física: documento de identidade. Se representado por procurador: procuração com firma reconhecida ou assinatura eletrônica com certificado digital, outorgada há menos de 1 ano.

• Pessoa jurídica e fundos: estatuto/contrato social, ata de eleição da diretoria e, para fundos, o regulamento atualizado.

Você também pode votar à distância sem a necessidade de participar da videoconferência, enviando o modelo de Manifestação de Voto à Distância disponível na Proposta da Administração publicada pela Opea.

A homologação é a decisão do juiz responsável pelo processo no TJSP confirmando formalmente o plano aprovado pelos credores. Ela não é automática: o juízo verifica se os requisitos legais foram cumpridos, como o quórum de aprovação e a regularidade do processo, e analisa eventuais impugnações apresentadas por credores antes de decidir.

Após a publicação da sentença de homologação, começa a correr o prazo para que qualquer parte interessada entre com recurso. O plano só produz todos os seus efeitos financeiros e jurídicos depois que esse prazo se encerra sem recurso com efeito suspensivo, ou quando eventuais recursos são resolvidos de forma favorável.

Não há prazo fixo em lei para a homologação: depende da pauta do juízo e da existência de impugnações.

Qualquer credor sujeito e que não tenha aderido ao plano tem o direito de apresentar impugnação ao plano durante o prazo fixado pelo juízo após o protocolo. A impugnação é uma manifestação formal de discordância com os termos do plano ou com aspectos do processo.

A existência de impugnações não paralisa o processo. O juiz analisa cada uma antes de proferir a sentença de homologação. Se forem consideradas procedentes, o juízo pode exigir ajustes no plano ou, em casos mais graves, recusar a homologação.

O Plano Atualizado conta com a adesão de mais de 50% dos créditos sujeitos, que é o quórum legal exigido, o que dá ao plano uma base sólida perante o juízo.

Os assessores da Opea acompanham o processo e apresentarão as manifestações que forem necessárias em defesa dos interesses dos titulares de CRA.

Se o juiz recusar a homologação, o processo de recuperação extrajudicial encerra. O stay period cessa imediatamente e os credores, incluindo a Opea, retomam a liberdade de adotar medidas de cobrança judicial com base no vencimento antecipado já declarado em março de 2026.

Nesse cenário, a Opea e seus assessores definiriam a estratégia de recuperação do crédito, com possibilidade de execução judicial, entre outras medidas cabíveis. O mesmo vale para outros eventos que possam encerrar o processo antes da homologação, como o descumprimento de obrigações pelas devedoras ou a não obtenção das aprovações regulatórias necessárias.

A Opea acompanha o processo e comunicará qualquer desenvolvimento relevante por meio de Fato Relevante.

Sim. Em paralelo ao processo brasileiro o plano prevê que a Raízen inicie procedimentos de reconhecimento internacional para garantir que a reestruturação seja eficaz também em outras jurisdições onde a empresa tem dívidas ou ativos. Esses procedimentos auxiliares não alteram os termos do plano brasileiro, mas são necessários para a implementação integral da reestruturação em escala global.

Por enquanto, sim. O mercado secundário de CRA continua operando normalmente enquanto o plano segue para homologação. A Opea não tem ingerência sobre negociações no mercado secundário.

No entanto, quando a implementação do plano se aproximar, a B3 bloqueará automaticamente os CRA em seus sistemas por até 120 dias para viabilizar a troca dos títulos. Durante esse período, não será possível vender, transferir ou alienar os CRA. A Opea comunicará com antecedência quando esse bloqueio se aproximar.

O plano foi aprovado. Neste momento, não há nenhuma ação individual necessária da parte do investidor. A Opea acompanhará o processo de homologação judicial e comunicará os próximos passos por meio de Fatos Relevantes.

Acompanhe os comunicados publicados pela Opea na página da sua emissão. Não tome medidas individuais de cobrança diretamente contra a Raízen.

Data / PrazoEvento
10/03/2026Assinatura do Plano de RE pelos credores signatários (mais de 1/3 dos créditos sujeitos)
11/03/2026Protocolo da RE no TJSP — início da contagem dos prazos
12/03/2026Deferimento do processamento pelo juízo — stay period de 180 dias iniciado. Opea confirma VA Automático.
13/03/2026Opea contrata Felsberg Advogados e Journey Capital
27/05/2026Raízen apresenta os termos econômico-financeiros do Plano Atualizado
03/06/2026Assembleias de titulares de CRA — aprovação do Plano Atualizado
05/06/2026Plano assinado e protocolado nos autos
08/06/2026Ratificação pelos credores signatários — condição resolutiva cumprida. Adesão da Opea torna-se irrevogável.
15/07/2026Reabertura das assembleias suspensas: 2ª emissão (10h), 6ª emissão (14h) e 38ª emissão (16h)
16/07/2026Reabertura das assembleias suspensas: 10ª emissão (10h) e 73ª emissão (14h)
A definirSentença de homologação pelo TJSP
A definirCumprimento das Condições Suspensivas e Data de Fechamento
A definirEmissão dos novos instrumentos (Opção A) e pagamentos em dinheiro (Opção C)
Em paraleloProcedimentos internacionais de reconhecimento da reestruturação em outras jurisdições

Entendendo a operação

Trata-se de um Certificado de Recebível do Agronegócio (CRA) lastreado em debêntures simples emitidas pela Raízen Energia S.A. em favor da Opea Securitizadora (antiga True Securitizadora). As debêntures representam a dívida que a Raízen Energia assumiu ao captar recursos no mercado, e os pagamentos de principal e juros dessas debêntures são o que alimenta o fluxo de caixa do CRA.

Adicionalmente, a Raízen S.A. (antiga Raízen Combustíveis S.A., CNPJ 33.453.598/0001-23) presta fiança às debêntures, ou seja, é garantidora das obrigações da emissora. Importante: tanto a Raízen Energia S.A. quanto a Raízen S.A. são requerentes (quem faz o pedido) no processo de Recuperação Extrajudicial em curso.

O processo envolve, em consolidação processual, as seguintes entidades do Grupo Raízen: Raízen S.A., Raízen Energia S.A., Raízen Fuels Finance S.A., Raízen Trading S.A., Raízen North America Inc., Raízen Caarapo Açúcar e Álcool Ltda., Raízen Centro-Sul Paulista S.A., Raízen Centro-Sul S.A. e Blueway Trading Importação e Exportação S.A.

Para os CRA da Opea, as entidades relevantes são a Raízen Energia S.A. (emissora das debêntures) e a Raízen S.A. (fiadora), ambas requerentes da RE.

Na RE, apenas créditos financeiros quirografários são atingidos — como as debêntures que lastreiam os CRA. Créditos trabalhistas, fiscais e garantidos por alienação fiduciária ficam fora. O plano também não afeta as obrigações das devedoras com fornecedores e prestadores de serviços operacionais correntes, nem as operações em câmaras de compensação e liquidação financeira, nem os contratos de ACC (adiantamento sobre contrato de câmbio) — conforme previsto na cláusula 2.3 do Plano de RE.

O processo tende a ser mais rápido e negocial do que a RJ.

A Opea Securitizadora, na qualidade de emissora e titular das debêntures que lastreiam os CRA, representa a comunhão dos investidores perante a Raízen. Ela contratou a Felsberg Advogados www.felsberg.com.br (assessor legal) e a Journey Capital www.journeycapital.com.br (assessor financeiro) para atuar na defesa dos interesses dos titulares dos CRA nas negociações do Plano de RE, sem custo para os investidores. Em processos como esse de grandes recuperações judiciais ou extrajudiciais, é comum que a representação de credores seja custeada pela própria devedora.

A Pentágono ou a Planner, conforme o caso, é o agente fiduciário das emissões e tem papel de representação dos investidores e na defesa dos investidores nos termos da Resolução CVM 17.

A Raízen, por sua vez, contratou seus próprios assessores para a reestruturação: E. Munhoz Advogados, Pinheiro Neto, TWK e XCIVS (jurídicos) e Rothschild (financeiro). Esses assessores trabalham em favor das devedoras, não dos credores.

Não. A Opea representa coletivamente todos os titulares dos CRA. Neste momento, a ação mais importante é acompanhar os Fatos Relevantes publicados pela Opea e comparecer à assembleia de julho, caso queira participar da ratificação dos atos praticados pelos assessores.

Por meio de Fatos Relevantes publicados pela Opea nos canais regulatórios da CVM e no site da emissão, conforme links abaixo:

IFCódigo Opea
CRA019000GTCRA.2.CIA.2
CRA019003V2CRA.6.TRU.1
CRA019003V3CRA.6.TRU.2
CRA020001P7CRA.10.TRU.1
CRA020001P8CRA.10.TRU.2
CRA022008NBCRA.38.TRU.1
CRA022008NDCRA.38.TRU.2
CRA02300JR5CRA.73.TRU.1
CRA02300JR6CRA.73.TRU.2
CRA02300JR7CRA.73.TRU.3

Por que a Raízen chegou até aqui

Conforme exposto pela própria Raízen na petição inicial do processo de RE, a crise da companhia decorre da convergência de três ordens de fatores:

a) Estratégia de expansão em cenário macroeconômico que se deteriorou

Ao longo dos últimos anos, o Grupo Raízen implementou uma estratégia de crescimento acelerado, com aquisições relevantes — entre elas a Biosev, o negócio de distribuição de combustíveis na Argentina e o Paraguai, planta de lubrificantes da Shell, joint-venture com a FEMSA para lojas de conveniência — e investimentos expressivos em Etanol de Segunda Geração (E2G). Essas decisões foram tomadas em contexto macroeconômico substancialmente mais favorável do que o atual. O descompasso entre a geração de receitas dessas novas frentes e o aumento das despesas financeiras produziu efeitos adversos significativos.

b) Alta dos juros e pressão financeira

A manutenção da taxa básica de juros acima de 12% ao ano por pelo menos 20 meses — atingindo 15% ao ano nos últimos 8 meses — elevou de forma significativa o custo financeiro da dívida, comprometendo a geração de caixa e impedindo, ao menos temporariamente, a redução orgânica do endividamento.

c) Fatores operacionais e climáticos

O EBITDA da Safra 2025/2026 recuou 12% em relação à Safra 2024/2025, principalmente em razão de: (i) eventos climáticos severos no Centro-Sul — estiagem, estresse hídrico, queimadas e temperaturas elevadas — que provocaram quebra de safra; (ii) redução da produção de cana (-4,4% no Sudeste e -3,9% no Centro-Oeste) e queda do ATR (Açúcar Total Recuperável); e (iii) retração dos preços globais de commodities, aumento da produção asiática de açúcar e crescimento do etanol de milho no Brasil. Adicionalmente, a instabilidade macroeconômica na Argentina — com inflação persistentemente elevada e volatilidade cambial — pressionou custos e margens naquele mercado.

Em 10 de março de 2026 a dívida bruta consolidada do Grupo Raízen era da ordem de R$ 65,14 bilhões. Desse total, R$ 33,49 bilhões referem-se a créditos intercompany (entre empresas do próprio grupo), sujeitos ao plano, mas subordinados ao pagamento dos demais credores.

Embora o prazo médio da dívida fosse de 7,6 anos em dezembro de 2025 — indicando perfil majoritariamente de longo prazo —, o elevado nível de endividamento impõe pressão relevante de juros e amortização. A estimativa da própria Raízen era de desembolso de aproximadamente R$ 13 bilhões nos próximos 24 meses apenas para amortização de dívida bancária e financeira.

O resultado acumulado do impacto desses fatores foi um nível de alavancagem da ordem de 5,3x (Dívida Líquida / EBITDA Ajustado) — o maior patamar histórico do grupo — e consumo de R$ 7,2 bilhões de caixa entre abril e dezembro de 2025 para manter o curso normal das operações.

Glossário e conceitos básicos — Entendendo o CRA

Esta seção é para quem ainda não está familiarizado com o que é um CRA e como ele funciona.

CRA significa Certificado de Recebível do Agronegócio. É um título de renda fixa — ou seja, um investimento em que você empresta dinheiro para uma empresa e recebe de volta esse valor com juros, em datas predefinidas.

Ele é chamado "do agronegócio" porque só pode ser emitido quando o dinheiro captado está direcionado à cadeia produtiva do agronegócio. No caso dos CRA Raízen, os recursos financiaram atividades da Raízen Energia, que atua no setor sucroenergético.

Um CRA sempre envolve pelo menos três partes:

• Devedora (ou Emissora das debêntures): a empresa que pegou o dinheiro emprestado e precisa pagar. Nos CRA Raízen, é a Raízen Energia S.A.

• Securitizadora: a empresa especializada que emite o CRA e intermedia a relação entre a devedora e os investidores. Nos CRA Raízen, é a Opea Securitizadora S.A. (antiga True Securitizadora).

• Investidor: quem comprou o CRA e é o credor final. Pode ser uma pessoa física, um fundo de investimento, uma empresa ou qualquer outro tipo de aplicador.

• Além dessas três, pode haver também:

• Fiadora: uma empresa que garante a dívida da devedora. Nos CRA Raízen, é a Raízen S.A. (antiga Raízen Combustíveis).

• Agente fiduciário: uma instituição independente que fiscaliza o cumprimento das obrigações da emissão e representa os investidores em determinadas situações. Nos CRA Raízen, é a Pentágono ou a Planner, conforme a emissão.

A emissão das debêntures e dos CRA acontece de forma simultânea e integrada. Os investidores compram os CRA cientes da estrutura da operação — sabem que estão financiando a Raízen Energia indiretamente, por meio desse mecanismo. O dinheiro captado com a venda dos CRA é repassado diretamente à Raízen Energia, como contraprestação pelas debêntures emitidas. A Opea atua como veículo emissor dos CRA.

No dia a dia, o fluxo é este: a Raízen Energia paga as debêntures nos termos contratados, e a Opea repassa esses recursos aos investidores dos CRA conforme o cronograma da emissão. Se a Raízen não pagar, não há recursos para repassar.

Não, e esta é uma confusão comum.

Securitizadora é uma empresa que transforma créditos (dívidas que terceiros devem receber) em títulos negociáveis no mercado financeiro. Ela não garante o pagamento da dívida — ela apenas estrutura a operação e faz a gestão do patrimônio separado. A Opea não é devedora do CRA; ela é emissora.

Seguradora é uma empresa que vende seguros e assume o risco de indenizar o segurado em caso de sinistro. Se você tem um seguro de vida ou de carro, a seguradora é quem paga se algo acontecer.

A Opea não é uma seguradora e não garante o pagamento do CRA. Ela não vai ressarcir o investidor caso a Raízen não pague. Quem deve o dinheiro é a Raízen. A Opea representa os investidores e toma as medidas cabíveis para cobrar, mas o risco de crédito é da Raízen.

"Renda fixa" significa que as condições de remuneração foram definidas no momento da emissão: taxa de juros, prazo e datas de pagamento são conhecidos de antemão. Isso se contrasta com a "renda variável" (como ações), onde o retorno depende do desempenho da empresa na bolsa.

Mas "renda fixa" não significa risco zero. O investidor só recebe se a empresa devedora tiver capacidade e vontade de pagar. Se ela entrar em dificuldade financeira — como no caso da Raízen — o pagamento pode ser atrasado, renegociado ou, em casos mais graves, parcialmente perdido.

Pense no PU como o "preço de uma unidade" do seu CRA em determinada data. Cada unidade de CRA que você tem vale aquele valor naquele momento. Para saber o total da sua posição, basta fazer uma conta simples: quantidade de CRA que você possui multiplicada pelo PU da data.

Enquanto a operação estava normal, o PU subia todos os dias — porque os juros iam sendo acumulados e incorporados ao valor do título, como numa aplicação de renda fixa comum. Com o vencimento antecipado, esse processo parou. O PU ficou congelado no valor apurado na data do pedido de RE. Veja a tabela com os PUs de cada emissão na pergunta ‘Quais são as emissões envolvidas, como identifico a minha e quanto tenho investido?’ e o detalhamento do que acontece com o valor do investimento na pergunta ‘O que acontece com o valor do meu investimento a partir do pedido de RE?’.

É uma comunicação oficial publicada sempre que ocorrem eventos que possam influenciar a decisão dos investidores. A Opea publica Fatos Relevantes sempre que ocorrer algo material na emissão — como o vencimento antecipado, a contratação de assessores ou andamentos da Recuperação Extrajudicial.

Para acompanhar o que está acontecendo com a sua emissão, acesse a página específica do seu CRA no site da Opea. Lá você encontrará todos os Fatos Relevantes publicados até o momento. Os links para a página de cada emissão estão disponíveis na pergunta 'Como vou ser informado sobre o andamento?', neste FAQ.

A seção de perguntas frequentes (FAQ) deste site é fornecida apenas para fins informativos gerais. As informações contidas nesta seção são destinadas a oferecer orientação geral sobre a situação das operações, de forma didática e prática, e não devem ser interpretadas como aconselhamento jurídico ou financeiro para qualquer situação individual ou organizacional. A Opea não se responsabiliza por quaisquer perdas, danos ou prejuízos resultantes do uso dessas informações.

    Em caso de outras dúvidas, entre em contato pelo formulário abaixo:

    documentos

    Acesse nossos documentos

    canal de denúncias

    Criado para que a Opea seja informada sobre atitudes fora dos padrões éticos e de conduta, de forma segura e privada.