Por favor, conte um pouco da sua história para começarmos.
Você sabia que, quando pequena, eu queria ser médica? Na verdade, sonhava em ser pediatra, porque sempre gostei muito de crianças. Com o tempo, percebi que gostar de crianças não significava, necessariamente, estar pronta para lidar com crianças doentes. Soma-se a isso minha dificuldade em lidar com perdas, entendi que talvez esse não fosse o meu caminho.
Por outro lado, sempre senti um encantamento pelo universo financeiro. Eu não sabia exatamente o que queria fazer, mas tinha certeza de que seria algo nessa área, com algo que envolvesse controle e administração financeira. Desde criança, sonhava em ter minha própria loja — de móveis ou de imóveis — e me divertia brincando de vender sofás e móveis planejados. Era o meu pequeno mundo dos negócios, onde a imaginação e o sonho de empreender já começavam a ganhar forma.
A sua trajetória profissional começou cedo?
Comecei minha trajetória profissional muito jovem, com uma ansiedade positiva de aprender e de me desenvolver. Iniciei estagiando dentro da própria USP, no FIPECAFI. Foi meu primeiro contato com a administração de forma ampla, e foi ali que nasceu meu interesse por processos, organização e pelo impacto que uma boa estrutura pode gerar.
Em seguida, atuei em um projeto de private equity em uma empresa de energia renovável. Comecei na tesouraria, mas logo perceberam minha maior afinidade para controladoria, o que me levou a ampliar meu escopo de atuação.
Ao longo da minha trajetória, percebi — coincidentemente ou talvez por destino — que ingressei em empresas em momentos de transformação, com processos para revisar e reorganizar. Isso despertou e fortaleceu uma característica pessoal minha: o sentimento de pertencimento, o senso de dono e a vontade de contribuir de forma genuína para soluções e para o crescimento coletivo.
Você mencionou o mercado financeiro. Como foi sua entrada nesse setor?
Quase por acaso, participei de um processo seletivo para trainee na RB Capital. Estava no último ano da faculdade e com dúvidas sobre conciliar horários, mas fui, sem pretensão e sem conhecer totalmente o segmento — e acabei sendo selecionada.
Um grande mentor acreditou em mim e, até hoje, é referência profissional e pessoal. Anos depois, trabalhei com outra referência do mercado financeiro, que reconheceu meu potencial e me expôs a desafios variados. Essa experiência acelerou meu desenvolvimento, ensinando-me a lidar com públicos diversos, resolver problemas complexos e crescer pessoal e profissionalmente.
Ao longo da carreira, sempre assumi desafios desconhecidos com a mentalidade de “vamos para cima”, aprendendo na prática e contando com o apoio e a inspiração de pessoas próximas — fundamentais para meu desenvolvimento e para minha estabilidade em momentos difíceis.
Conte sobre o papel da sua família e do apoio que recebeu nessa trajetória.
Meu marido, com quem estou há quase 20 anos, sempre foi um parceiro incrível. Ele me apoiou muito desde a faculdade até os desafios profissionais mais recentes. Tenho muito suporte dos meus pais e da minha irmã, que sempre valorizaram o estudo e o trabalho. Esse alicerce familiar foi essencial, pois sempre cobrei muito, sou uma pessoa que se responsabiliza demais.
E a maternidade, como foi essa experiência?
Sempre tive o sonho de ser mãe. Engravidei de forma não prevista após um tratamento de endometriose em 2017 e meu filho tem sete anos hoje. No começo foi difícil, pois a rotina era presencial, ele ficava muitas horas na escola, e eu trabalhava muito. Na pandemia, com o trabalho híbrido, consegui estabelecer um vínculo muito mais forte com ele, o que é uma bênção e fez muita diferença.
Que lição você destacaria da sua trajetória?
A maior lição que aprendi ao longo da minha trajetória é a importância da determinação e da proatividade, sem jamais perder a autenticidade e meus valores: ir para cima, perguntar, aprender e assumir responsabilidades, mantendo minha essência e buscando, sempre que possível, desenvolver as pessoas ao meu redor e enxergar o melhor em cada uma delas.