Você se formou em Ciências Biológicas e atuou por um tempo nesse segmento. Como ocorreu a transição para o mercado financeiro?
Eu tenho formação em biológicas, mas também em Administração de Empresas. Eu sou mineira, sou de Alfenas – no sul de Minas – que é uma cidade universitária. Ingressei em Biologia por lá, morando ainda com meus pais. Depois que me formei, mudei para São Paulo para trabalhar. Entrei na área de análises clínicas – fazia e analisava exames no Hospital AC Camargo.
Trabalhei um ano ali, mas não era o que eu queria. Meu turno era de segunda a segunda, era plantonista, salário ruim. Na época eu namorava meu marido, que tinha feito Administração, trabalhava em banco, e me comparava: poxa, ele trabalha de segunda a sexta, ganha bem, com um currículo mais tranquilo. Meu currículo era acadêmico, tinha feito iniciação científica, monitoria, estágio na USP para tentar mestrado – parecia tanto esforço para tão pouco. Todo esse cenário me fez pensar que queria mais. Não queria só análises clínicas, nem biologia.
Sua transição então começa por aí.
Exatamente. Comecei a pensar em sustentabilidade, que hoje chamamos de ESG. Fiz pós em gestão ambiental e desenvolvimento sustentável e notei que quem trabalhava com sustentabilidade nas empresas era formado em Administração. Foi nesse momento que eu decidi mudar, e não foi fácil. Imagina, mais quatro anos de graduação, começando do zero. Foi um período de muita angústia, mas eu fui assim mesmo e me encontrei na Administração. Acabei não indo para sustentabilidade. Minha primeira oportunidade foi numa consultoria e depois para a Planejar, que detém a certificação CFP do mercado financeiro.
Como foi ingressar em um mercado tão masculino?
Eu pensei muito se iria ou não para o mercado financeiro. Fiquei com medo, justamente por ser um segmento muito masculino. Eu com esse perfil de interiorana, achei que não poderia dar certo. Mas as coisas foram acontecendo – a nossa carreira acontece muitas vezes independente do planejamento – e eventualmente eu fui convidada a trabalhar em uma securitizadora. Foi aí que começou minha trajetória no mercado de capitais.
Depois desse trajeto, hoje você lidera uma equipe grande.
Sim. Eu vou acertando e errando, né? São 14 pessoas, são muitos pontos de vistas. Admiro lideranças que jogam junto, transparentes, que não têm medo de falar. Tento ser assim. Também participo de fóruns, conheço outras áreas. Não sei tudo, também aprendo e ensino isso para o time. Acredito nessa forma de liderança.
Admiro lideranças que jogam junto, transparentes, que não têm medo de falar. Tento ser assim. Também participo de fóruns, conheço outras áreas. Não sei tudo, também aprendo e ensino isso para o time. Acredito nessa forma de liderança.
Para você, o que é liderar?
Meu estilo de liderança reflete quem sou na vida. Converso bastante, tento equilibrar as coisas para o time crescer. Eu gosto de gente, de comunicação. Sempre fui meio professora, gosto de voltar a página um para garantir entendimento, nosso mercado é acelerado, é preciso tirar dúvidas. Quero que a equipe trabalhe junto para empresa crescer.
Quem te apoiou e influenciou na sua trajetória?
Um conjunto de pessoas. Meus pais sempre trabalharam fora, minha mãe fez carreira acadêmica, meu pai trabalhou no Banco do Brasil. Eles influenciaram e apoiaram sempre, inclusive na mudança de carreira. Meu marido, que é diferente de mim – ele, um cara super racional e eu super emocional -, me ajuda muito. Damos suporte um ao outro, trocamos ideias de carreira e essa nossa diferença se complementa.
Aliás, eu sempre digo isso: você precisa ter um companheiro que te coloque para cima – a decisão sobre quem caminhará ao seu lado influenciará também na sua carreira. Reconhecer isso é fundamental e te levará a outro patamar, pois a vida nos faz rever, retraçar e ceder a todo momento. No final, é sobre estar com alguém que jogue junto.
Você virou mãe recentemente e foi promovida no processo, não foi?
Voltei da licença maternidade e logo fui promovida. O Davi, meu filho, tem 10 meses, agora. Estou descobrindo essa nova fase, a de ser mãe e coordenadora. É tudo junto, tudo misturado – mas muito legal! Esse primeiro ano é de muito aprendizado e doação, agora o melhor é que realmente encontrei apoio aqui na empresa, seja do meu líder ou do meu próprio time frente a esse cenário, às vezes, atípico – com o Davi, por exemplo, participando comigo da última call do dia.