Compartilhe um pouco da sua jornada conosco. Em que você se formou?
Eu me formei em Administração de Empresas pela FGV. Depois fiz mestrado profissional em Gestão Internacional, com dupla diplomação pela FGV e pelo CEMS, que é uma aliança global de instituições. Fiz mestrado na Alemanha e em Singapura.
Como foi a decisão de fazer Administração?
Acho que somos pressionados desde muito jovens a tomar decisões importantes. Fui mais pelo caminho de uma formação que abrisse portas do que uma vontade certeira. Meus pais trabalharam no mercado financeiro, então eu tinha alguma familiaridade com o ambiente. A ideia era obter boa formação e network para ter opções no futuro.
Você sempre trabalhou no mercado financeiro?
Quando estava na faculdade, fiz intercâmbio na Suíça, onde entrei em contato com o banco UBS, bastante conhecido por lá. Vi uma vaga no Brasil e prestei, passei. Comecei na área de investimentos, onde minha chefe e parceira eram mulheres, o que me deu um soft landing num ambiente dominado por homens. Depois, migrei para a área comercial, fiquei três anos por lá. Em seguida, fui para outra empresa, montar a área de atendimento B2B, em um espaço mais masculino ainda.
Você teve que criar estratégias para lidar com um ambiente predominantemente masculino?
Não diria que vivi grandes dificuldades, mas talvez tenha vivenciado receios. Senti receio do que poderia acontecer, mas tive mulheres fortes como espelho e apoio. É claro que tem coisas que incomodam, mas acredito que no ambiente geral todos enfrentam dificuldades, independentemente do gênero. A cultura e o ambiente podem ser desafiadores, mais do que o fato de ser mulher.
Quem foram essas mulheres que te apoiaram?
Mulheres ao meu redor, como minha chefe, minha parceira de equipe, amigas em situação semelhantes no mercado, e minha mãe, que trabalhou 25 anos no pregão, dando exemplo de perseverança e trabalhando certo.
Hoje você trabalha na Opea no relacionamento próximo com clientes. Como você identifica a influência do feminino nesse tipo de atuação?
Acho que mulheres vivem em paradoxo desde jovens, precisando ser sensíveis e firmes ao mesmo tempo, racionais e intuitivas, pensar em si e nos outros. Essa visão de coletivo é positiva para relações interpessoais. No trabalho, as pessoas querem ser ouvidas e entendidas, e não obter somente respostas objetivas. É empatia, antecipar demandas entendendo o lugar do outro.
O que você espera para o seu futuro?
Crescer num lugar com propósito, criar relações verdadeiras, ter saúde física e mental para continuar somando para as pessoas que acredito. Tudo isso sem se comparar com os outros. Comparar-se é um grande detrator mental, especialmente com redes sociais mostrando versões idealizadas. O importante é ser consistente que o resto vem. É seguir seu próprio caminho com consistência e propósito.