Raízen | Recuperação Extrajudicial

Situação atual

Em 10 de março de 2026, o Grupo Raízen assinou o Plano de Recuperação Extrajudicial (RE). Em 12 de março de 2026, a Opea Securitizadora comunicou a configuração do Vencimento Antecipado Automático das Emissões de CRA da Opea.

Em 13 de março de 2026, foram contratados os assessores legais (Felsberg Advogados) e financeiro (Journey Capital) pela Opea para defesa dos titulares dos CRA, sem custo para os investidores.

As assembleias de titulares de CRA foram convocadas, e serão realizadas em primeira convocação conforme resumo abaixo:

EmissãoSérie(s)Data da assembleiaHorárioLink para adesão
6ª emissão1ª e 2ª séries06 de maio de 202609:00https://assembleia.ten.com.br/0698927612
10ª emissão1ª e 2ª séries06 de maio de 202611:00https://assembleia.ten.com.br/917783841
73ª emissão1ª, 2ª e 3ª séries06 de maio de 202615:00https://assembleia.ten.com.br/116002018
38ª emissão1ª e 2ª séries07 de maio de 202610:00https://assembleia.ten.com.br/994349297
2ª emissão2ª série07 de maio de 202615:00https://assembleia.ten.com.br/413281201

Participe: sua voz é determinante na definição da estratégia de negociação.

Entendendo a operação

IFISINCódigo OpeaEmissãoSérieQtd. IntegralizadaAgente FiduciárioPU em 10/03/2026*Saldo Devedor
CRA019000GTBRRBRACRA0F0CRA.2.CIA.222600.000Planner1.510,23007906.138.044,68
CRA019003V2BRAPCSCRA0M6CRA.6.TRU.161228.190Planner1.020,03984232.762.891,09
CRA019003V3BRAPCSCRA0N4CRA.6.TRU.262787.658Planner1.464,173121.153.267.671,78
CRA020001P7BRAPCSCRA0T1CRA.10.TRU.1101352.426Pentágono1.422,81469501.436.890,55
CRA020001P8BRAPCSCRA0U9CRA.10.TRU.2102728.056Pentágono1.423,375241.036.296.884,43
CRA022008NBBRAPCSCRA1B7CRA.38.TRU.13811.060.000Pentágono1.210,324501.282.943.973,40
CRA022008NDBRAPCSCRA1C5CRA.38.TRU.2382940.000Pentágono1.211,282181.138.605.253,41
CRA02300JR5BRAPCSCRA1Y9CRA.73.TRU.1731192.320Pentágono1.135,76295218.429.930,50
CRA02300JR6BRAPCSCRA1Z6CRA.73.TRU.2732265.014Pentágono1.136,78586301.264.168,39
CRA02300JR7BRAPCSCRA207CRA.73.TRU.3733542.666Pentágono1.046,58114567.943.999,29

*Para calcular o seu saldo de CRA, basta multiplicar as quantidades de CRA detidos pelo PU

Trata-se de um Certificado de Recebível do Agronegócio (CRA) lastreado em debêntures simples emitidas pela Raízen Energia S.A. em favor da Opea Securitizadora (antiga True Securitizadora). As debêntures representam a dívida que a Raízen Energia assumiu ao captar recursos no mercado, e os pagamentos de principal e juros dessas debêntures são o que alimenta o fluxo de caixa do CRA.

Adicionalmente, a Raízen S.A. (antiga Raízen Combustíveis S.A., CNPJ 33.453.598/0001-23) presta fiança às debêntures, ou seja, é garantidora das obrigações da emissora. Importante: tanto a Raízen Energia S.A. quanto a Raízen S.A. são requerentes (quem faz o pedido) no processo de Recuperação Extrajudicial em curso.

Ou seja, os CRA têm a Opea como Emissora, e a Raízen como Devedora.

O vencimento antecipado significa que toda a dívida passou a ser exigível imediatamente, antes da data prevista no cronograma original. Nesta operação, o vencimento antecipado é automático: o Termo de Securitização prevê que o simples pedido de Recuperação Extrajudicial pela devedora ou pela fiadora já configura o evento, independentemente de deferimento judicial.

Em 12 de março de 2026, a Opea confirmou que o pedido, formulado em 10 de março de 2026, de RE da Raízen Energia S.A. acionou esse gatilho, nos termos do subitem (d), do item (iii), da Cláusula 8.1.1 do Termo de Securitização.

Com a configuração do Vencimento Antecipado Automático, o cronograma original de pagamentos — amortizações e juros nas datas previstas — deixa de existir. O Valor Unitário (PU) do CRA, que até então era atualizado diariamente pela incidência dos juros remuneratórios contratados, passa a refletir o saldo devedor integral apurado na data do inadimplemento, sem novas atualizações pela curva original até que se tenham a conclusão da RE.

A Opea Securitizadora, na qualidade de emissora e titular das debêntures que lastreiam os CRA, representa a comunhão dos investidores perante a Raízen. Ela já contratou a Felsberg Advogados www.felsberg.com.br (assessor legal) e a Journey Capital www.journeycapital.com.br (assessor financeiro) para atuar na defesa dos interesses dos titulares dos CRA nas negociações do Plano de RE, sem custo para os investidores. Em processos como esse de grandes recuperações judiciais ou extrajudiciais, é comum que a representação de credores seja custeada pela própria devedora.

A Pentágono ou a Planner, conforme o caso, é o agente fiduciário das emissões e tem papel de representação dos investidores e na defesa dos investidores nos termos da Resolução CVM 17.

A Raízen, por sua vez, contratou seus próprios assessores para a reestruturação: E. Munhoz Advogados, Pinheiro Neto, TWK e XCIVS (jurídicos) e Rothschild (financeiro). Esses assessores trabalham em favor das devedoras, não dos credores.

Não. A Opea representa coletivamente todos os titulares dos CRA. A ação individual mais importante é participar da assembleia de titulares — é nesse momento que os investidores poderão orientar a postura da securitizadora nas negociações.

Por meio de Fatos Relevantes publicados pela Opea nos canais regulatórios da CVM e no site da emissão, conforme links abaixo:

A Recuperação Extrajudicial: Como funciona

A RE é um mecanismo da Lei de Falências (Lei 11.101/2005, atualizada pela Lei 14.112/2020) que permite à empresa reestruturar sua dívida financeira quirografária (sem garantia real) negociando diretamente com os credores, com supervisão judicial, mas sem a rigidez de uma Recuperação Judicial. O processo segue em duas etapas:

• Plano atual (framework): obtém o stay de 180 dias e abre o período de negociação. Não define ainda as condições de pagamento.

• Plano Atualizado: será negociado com os credores e apresentado ao juízo em até 90 dias corridos a partir do protocolo da RE. Definirá as condições concretas da reestruturação.

Na RE, apenas créditos financeiros quirografários são atingidos — como as debêntures que lastreiam os CRA. Créditos trabalhistas, fiscais e garantidos por alienação fiduciária ficam fora. O plano também não afeta as obrigações das devedoras com fornecedores e prestadores de serviços operacionais correntes, nem as operações em câmaras de compensação e liquidação financeira, nem os contratos de ACC (adiantamento sobre contrato de câmbio) — conforme previsto na cláusula 2.3 do Plano de RE.

O processo tende a ser mais rápido e negocial do que a RJ.

O processo envolve, em consolidação processual, as seguintes entidades do Grupo Raízen: Raízen S.A., Raízen Energia S.A., Raízen Fuels Finance S.A., Raízen Trading S.A., Raízen North America Inc., Raízen Caarapo Açúcar e Álcool Ltda., Raízen Centro-Sul Paulista S.A., Raízen Centro-Sul S.A. e Blueway Trading Importação e Exportação S.A.

Para os CRA da Opea, as entidades relevantes são a Raízen Energia S.A. (emissora das debêntures) e a Raízen S.A. (fiadora), ambas requerentes da RE.

O stay é a suspensão de 180 dias corridos aplica-se automaticamente a partir do protocolo. Durante esse período:

• Execuções ajuizadas contra as recuperandas ficam suspensas.

• Ordens de arresto, penhora, sequestro e constrição sobre bens das devedoras ficam suspensas.

• Os credores sujeitos (incluindo os titulares de CRA via Opea) ficam proibidos de adotar qualquer medida de cobrança, compensação ou constrição — seja no Brasil ou no exterior.

• Ficam suspensos imediatamente os pagamentos de juros e principal das dívidas financeiras quirografárias (bonds, CRAs e debêntures).

O que o stay NÃO impede: a declaração do vencimento antecipado (que já ocorreu), a contratação de assessores, a convocação de assembleias e as negociações do Plano Atualizado. Também não afeta fornecedores, clientes, revendedores e outros parceiros operacionais da Raízen.

Sim. A Relação de Credores Sujeitos apresentada no processo lista a Opea Securitizadora como credora direta das debêntures de todas as séries desta emissão, com os respectivos saldos. Os CRA estão classificados como credores não-signatários do plano atual — a Opea não aderiu ao plano na data de assinatura — mas isso não impede que o Plano Atualizado, quando aprovado pela maioria exigida e homologado pelo juízo, vincule a Opea e todos os demais credores sujeitos.

Sim. Em paralelo ao processo brasileiro, a Raízen pode iniciar procedimentos de reconhecimento internacional para garantir que a reestruturação seja eficaz também em outras jurisdições onde a empresa tem dívidas ou ativos. Esses procedimentos auxiliares não alteram os termos do plano brasileiro, mas são necessários para a implementação integral da reestruturação em escala global.

O Plano de RE: Panorama Atual

Não. O plano assinado em 10 de março de 2026 é um plano-quadro ("framework"), confessadamente incompleto. Ele serve para duas finalidades: obter o stay de 180 dias e criar o arcabouço formal para as negociações. As condições concretas serão definidas apenas no Plano Atualizado.

O plano atual lista os possíveis meios de reestruturação dos Créditos Sujeitos:

• Emissão de Novas Dívidas: os créditos existentes poderão ser substituídos por novos instrumentos, com novos prazos de vencimento, taxas de juros/correção e demais condições. A moeda poderá ser mantida (Real, Dólar ou Euro).

• Capitalização: conversão de parte da dívida em participação acionária no Grupo Raízen, ou aporte de novos recursos pelos acionistas ou terceiros.

• Reorganizações societárias: cisões, fusões, drop downs e alienações de ativos para fortalecer a estrutura do grupo.

Não há haircut definido nem proposta concreta de qualquer das alternativas acima. As condições finais serão conhecidas somente com a divulgação oficial do Plano Atualizado.

Data / PrazoEvento
10/03/2026Assinatura do Plano de RE pelos credores signatários (>1/3 dos créditos sujeitos)
11/03/2026Protocolo da RE no TJSP — início da contagem dos prazos
12/03/2026Deferimento do processamento pelo juízo — stay de 180 dias iniciado. Opea confirma VA Automático.
13/03/2026Opea contrata Felsberg Advogados e Journey Capital
06/04/2026Publicação dos editais de convocação das assembleias (2ª, 6ª, 10ª, 38ª e 73ª emissões)
06/05/2026Assembleia da 6ª emissão (1ª e 2ª séries) — 09h00 | Assembleia 10ª emissão (1ª e 2ª séries) — 11h00 | Assembleia 73ª emissão (1ª, 2ª e 3ª séries) — 15h00
07/05/2026Assembleia da 38ª emissão (1ª e 2ª séries) — 10h00 | 2ª emissão (2ª série) — 15h00
Até ~09/06/2026 (D+90 corridos)Prazo para apresentação do Plano Atualizado com adesão de mais de 50% dos créditos sujeitos
Até ~07/09/2026 (D+180 corridos)Fim do stay period — se o Plano Atualizado não estiver homologado, credores retomam liberdade de execução

O próprio Plano de RE lista os Eventos de Resolução que encerram o processo automaticamente, entre eles:

• Não obtenção do quórum de mais de 50% dos créditos sujeitos em 90 dias.

• Pedido de resolução por credores signatários com mais de 60% dos créditos signatários.

• Descumprimento de obrigações pelas devedoras.

• Eventual constrição judicial sobre bens das devedoras superior a USD 75 milhões não revertida em 10 dias úteis.

Se o plano for resolvido, o stay cessa imediatamente e os credores retomam integralmente a liberdade de executar seus créditos. A Opea poderia, nesse cenário, retomar as medidas de cobrança judicial com base no vencimento antecipado já configurado.

Sim. O patrimônio separado significa que os recursos vinculados ao CRA ficam juridicamente e contabilmente isolados do patrimônio geral da Opea Securitizadora. Mesmo que a Opea enfrentasse qualquer dificuldade financeira, os ativos lastro das emissões não se misturam com os demais ativos da securitizadora e só podem ser usados para pagar os investidores do CRA.

Importante: esse mecanismo protege o investidor da eventual insolvência da Opea — não da insolvência da Raízen, que é a devedora do lastro. Neste cenário, é a capacidade de pagamento da Raízen e o resultado das negociações que determinam o quanto e quando o investidor receberá.

O Que o Investidor Deve Fazer

Não. Com o vencimento antecipado automático, o cronograma original de amortizações e pagamentos de juros foi cancelado. A dívida passou a ser exigível de forma integral. O recebimento pelos investidores dependerá do desfecho das negociações do Plano Atualizado ou, em caso de resolução do plano, das medidas de execução que a Opea adotar.

A assembleia é o mecanismo formal de participação dos investidores nas decisões estratégicas. Com base nos editais publicados em 06 de abril de 2026, a ordem do dia das assembleias inclui:

• Ratificação dos atos já praticados pelo Assessor Legal, Assessor Financeiro e pela Emissora até a data da assembleia.

• Análise e deliberação sobre os termos econômico-financeiros do Plano de Recuperação Extrajudicial, com orientação à Opea sobre sua manifestação no processo.

• Deliberação sobre eventual impugnação ao Plano, recursos e medidas processuais relacionadas.

• Deliberação sobre novas propostas ou contrapropostas a serem formuladas pela Opea em nome dos titulares.

• Aprovação e adesão ao Plano Atualizado, caso negociado, com autorização de todas as medidas operacionais para implementação.

• Em caso de não aprovação ou resolução do plano: deliberação sobre estratégia de recuperação do crédito por meios judiciais ou extrajudiciais.

• Alteração do Termo de Securitização para permitir convocação via página da emissão e reduzir o prazo mínimo de convocação de 30 para 20 dias.

As assembleias serão realizadas de forma exclusivamente digital, pela plataforma Ten Meeting.

Para participar:

• Acesse o link de inscrição da sua emissão (divulgado no edital de convocação e na página da emissão no site da Opea) e no resumo acima.

• Preencha o cadastro e envie os documentos de habilitação até 2 dias antes da assembleia.

• Pessoa física: documento de identidade. Se representado por procurador: procuração com firma reconhecida ou assinatura eletrônica com certificado digital, outorgada há menos de 1 ano.

• Pessoa jurídica e fundos: estatuto/contrato social, ata de eleição da diretoria e, para fundos, o regulamento atualizado.

Você também pode votar à distância sem a necessidade de participar da videoconferência, enviando o modelo de Manifestação de Voto à Distância disponível na Proposta da Administração publicada pela Opea.

O plano de RE não altera as regras de cessão ou transferência de créditos previstas nos documentos da operação e na lei. Isso significa que a venda dos CRA em mercado secundário continua possível, observadas as regras da B3 e as condições de liquidez do mercado (mercado secundário). Note que eventuais cessões não desfazem a vinculação do crédito ao plano na data do protocolo da RE. Além disso, a Opea não tem nenhuma ingerência ou responsabilidade sobre as negociações que acontecem no mercado secundário.

No momento, não há ação individual necessária. As medidas imediatas já estão sendo tomadas pela Opea com suporte de assessores especializados. Os passos essenciais para o investidor são:

• Acompanhar os Fatos Relevantes publicados pela Opea.

• Quando convocado, participar da assembleia de titulares dos CRA — sua voz importa na definição da estratégia de negociação.

• Não tomar medidas individuais de cobrança diretamente contra a Raízen, pois a representação é feita coletivamente pela Opea.

Por que a Raízen chegou até aqui

Conforme exposto pela própria Raízen na petição inicial do processo de RE, a crise da companhia decorre da convergência de três ordens de fatores:

a) Estratégia de expansão em cenário macroeconômico que se deteriorou

Ao longo dos últimos anos, o Grupo Raízen implementou uma estratégia de crescimento acelerado, com aquisições relevantes — entre elas a Biosev, o negócio de distribuição de combustíveis na Argentina e o Paraguai, planta de lubrificantes da Shell, joint-venture com a FEMSA para lojas de conveniência — e investimentos expressivos em Etanol de Segunda Geração (E2G). Essas decisões foram tomadas em contexto macroeconômico substancialmente mais favorável do que o atual. O descompasso entre a geração de receitas dessas novas frentes e o aumento das despesas financeiras produziu efeitos adversos significativos.

b) Alta dos juros e pressão financeira

A manutenção da taxa básica de juros acima de 12% ao ano por pelo menos 20 meses — atingindo 15% ao ano nos últimos 8 meses — elevou de forma significativa o custo financeiro da dívida, comprometendo a geração de caixa e impedindo, ao menos temporariamente, a redução orgânica do endividamento.

c) Fatores operacionais e climáticos

O EBITDA da Safra 2025/2026 recuou 12% em relação à Safra 2024/2025, principalmente em razão de: (i) eventos climáticos severos no Centro-Sul — estiagem, estresse hídrico, queimadas e temperaturas elevadas — que provocaram quebra de safra; (ii) redução da produção de cana (-4,4% no Sudeste e -3,9% no Centro-Oeste) e queda do ATR (Açúcar Total Recuperável); e (iii) retração dos preços globais de commodities, aumento da produção asiática de açúcar e crescimento do etanol de milho no Brasil. Adicionalmente, a instabilidade macroeconômica na Argentina — com inflação persistentemente elevada e volatilidade cambial — pressionou custos e margens naquele mercado.

Em 10 de março de 2026 a dívida bruta consolidada do Grupo Raízen era da ordem de R$ 65,14 bilhões. Desse total, R$ 33,49 bilhões referem-se a créditos intercompany (entre empresas do próprio grupo), sujeitos ao plano, mas subordinados ao pagamento dos demais credores.

Embora o prazo médio da dívida fosse de 7,6 anos em dezembro de 2025 — indicando perfil majoritariamente de longo prazo —, o elevado nível de endividamento impõe pressão relevante de juros e amortização. A estimativa da própria Raízen era de desembolso de aproximadamente R$ 13 bilhões nos próximos 24 meses apenas para amortização de dívida bancária e financeira.

O resultado acumulado do impacto desses fatores foi um nível de alavancagem da ordem de 5,3x (Dívida Líquida / EBITDA Ajustado) — o maior patamar histórico do grupo — e consumo de R$ 7,2 bilhões de caixa entre abril e dezembro de 2025 para manter o curso normal das operações.

Glossário e conceitos básicos — Entendendo o CRA

Esta seção é para quem ainda não está familiarizado com o que é um CRA e como ele funciona.

CRA significa Certificado de Recebível do Agronegócio. É um título de renda fixa — ou seja, um investimento em que você empresta dinheiro para uma empresa e recebe de volta esse valor com juros, em datas predefinidas.

Ele é chamado "do agronegócio" porque só pode ser emitido quando o dinheiro captado está direcionado à cadeia produtiva do agronegócio. No caso dos CRA Raízen, os recursos financiaram atividades da Raízen Energia, que atua no setor sucroenergético.

Um CRA sempre envolve pelo menos três partes:

• Devedora (ou Emissora das debêntures): a empresa que pegou o dinheiro emprestado e precisa pagar. Nos CRA Raízen, é a Raízen Energia S.A.

• Securitizadora: a empresa especializada que emite o CRA e intermedia a relação entre a devedora e os investidores. Nos CRA Raízen, é a Opea Securitizadora S.A. (antiga True Securitizadora).

• Investidor: quem comprou o CRA e é o credor final. Pode ser uma pessoa física, um fundo de investimento, uma empresa ou qualquer outro tipo de aplicador.

• Além dessas três, pode haver também:

• Fiadora: uma empresa que garante a dívida da devedora. Nos CRA Raízen, é a Raízen S.A. (antiga Raízen Combustíveis).

• Agente fiduciário: uma instituição independente que fiscaliza o cumprimento das obrigações da emissão e representa os investidores em determinadas situações. Nos CRA Raízen, é a Pentágono ou a Planner, conforme a emissão.

A emissão das debêntures e dos CRA acontece de forma simultânea e integrada. Os investidores compram os CRA cientes da estrutura da operação — sabem que estão financiando a Raízen Energia indiretamente, por meio desse mecanismo. O dinheiro captado com a venda dos CRA é repassado diretamente à Raízen Energia, como contraprestação pelas debêntures emitidas. A Opea atua como veículo emissor dos CRA.

No dia a dia, o fluxo é este: a Raízen Energia paga as debêntures nos termos contratados, e a Opea repassa esses recursos aos investidores dos CRA conforme o cronograma da emissão. Se a Raízen não pagar, não há recursos para repassar.

Não, e esta é uma confusão comum.

Securitizadora é uma empresa que transforma créditos (dívidas que terceiros devem receber) em títulos negociáveis no mercado financeiro. Ela não garante o pagamento da dívida — ela apenas estrutura a operação e faz a gestão do patrimônio separado. A Opea não é devedora do CRA; ela é emissora.

Seguradora é uma empresa que vende seguros e assume o risco de indenizar o segurado em caso de sinistro. Se você tem um seguro de vida ou de carro, a seguradora é quem paga se algo acontecer.

A Opea não é uma seguradora e não garante o pagamento do CRA. Ela não vai ressarcir o investidor caso a Raízen não pague. Quem deve o dinheiro é a Raízen. A Opea representa os investidores e toma as medidas cabíveis para cobrar, mas o risco de crédito é da Raízen.

"Renda fixa" significa que as condições de remuneração foram definidas no momento da emissão: taxa de juros, prazo e datas de pagamento são conhecidos de antemão. Isso se contrasta com a "renda variável" (como ações), onde o retorno depende do desempenho da empresa na bolsa.

Mas "renda fixa" não significa risco zero. O investidor só recebe se a empresa devedora tiver capacidade e vontade de pagar. Se ela entrar em dificuldade financeira — como no caso da Raízen — o pagamento pode ser atrasado, renegociado ou, em casos mais graves, parcialmente perdido.

Pense no PU como o "preço de uma unidade" do seu CRA em determinada data. Cada unidade de CRA que você tem vale aquele valor naquele momento. Para saber o total da sua posição, basta fazer uma conta simples: quantidade de CRA que você possui multiplicada pelo PU da data.

Enquanto a operação estava normal, o PU subia todos os dias — porque os juros iam sendo acumulados e incorporados ao valor do título, como numa aplicação de renda fixa comum. Com o vencimento antecipado, esse processo parou. O PU ficou congelado no valor apurado na data do pedido de RE. Veja a tabela com os PUs de cada emissão na pergunta 1 e o detalhamento do que acontece com o valor do investimento na pergunta 4.

É uma comunicação oficial publicada sempre que ocorre eventos que possam influenciar a decisão dos investidores. A Opea publica Fatos Relevantes sempre que ocorrer algo material na emissão — como o vencimento antecipado, a contratação de assessores ou andamentos da Recuperação Judicial.

Para acompanhar o que está acontecendo com a sua emissão, acesse a página específica do seu CRA no site da Opea. Lá você encontrará todos os Fatos Relevantes publicados até o momento. Os links para a página de cada emissão estão disponíveis na pergunta 7 deste FAQ.

A seção de perguntas frequentes (FAQ) deste site é fornecida apenas para fins informativos gerais. As informações contidas nesta seção são destinadas a oferecer orientação geral sobre a situação das operações, de forma didática e prática, e não devem ser interpretadas como aconselhamento jurídico ou financeiro para qualquer situação individual ou organizacional. A Opea não se responsabiliza por quaisquer perdas, danos ou prejuízos resultantes do uso dessas informações. 

Última atualização: 20/04/2026.

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