Conta para a gente de onde você é e como foi a sua trajetória até o Direito?
Eu sou de São Paulo, Zona Norte. Sempre fui dedicada nos estudos e gostava muito de ler, mas no colégio tinha mais familiaridade com as matérias de exatas do que de humanas - o que é curioso para quem fez Direito. E, embora meus testes vocacionais indicassem uma certa aptidão para a área de biológicas, por incentivo da minha mãe e por conta de uma palestra que assisti no colégio, acabei decidindo me tornar advogada.
E como foi seu ingresso no mercado de trabalho? Você entrou direto no mercado financeiro ou passou por outros mercados?
Comecei a estagiar ainda no primeiro ano da faculdade e passei por vários lugares e várias áreas até me formar. Sempre acreditei que os estágios eram uma oportunidade para experimentações. Trabalhei no juizado especial da PUC, fazendo atendimento ao público no cartório; depois fui para escritórios grandes como o Demarest e Siqueira Castro, onde aprendi muito, apesar da pressão e da rotina pesada. Também trabalhei em uma empresa, a Nestlé, no setor jurídico consultivo. Retornei a escritórios voltados para áreas específicas como propriedade intelectual e, mais próximo da minha formatura, imobiliário financeiro, que foi quando passei a atuar com mercado de capitais. Durante essa trajetória, fui ganhando responsabilidades e cresci profissionalmente, até ser convidada para o Pinheiro Neto, um dos escritórios mais prestigiados do Brasil, para atuar com securitização imobiliária. Depois, veio o convite para trabalhar na Opea e estou aqui desde o começo da empresa.
Quem foi sua inspiração e porto seguro ao longo dessa caminhada?
No início da minha carreira, me inspirei bastante na minha primeira chefe no mercado de capitais, que me ensinou muito tanto em técnica, quanto em postura profissional. Atualmente, como mulher em um mercado ainda majoritariamente masculino, não posso deixar de mencionar a inspiração que a Flavia Palacios, nossa CEO, traz para todas nós, enquanto referência de mercado e liderança feminina. Pessoalmente, meu marido tem sido um grande apoio, com trocas constantes sobre gestão, desafios e projetos.
O que significa liderar para você?
Para mim, liderar é mais do que ter um cargo, um time, ou delegar tarefas. Liderar é se doar, estar disponível para o time, ser exemplo e ajudar no desenvolvimento dos outros. Acredito muito na escuta ativa, na comunicação transparente e na proximidade e criação de conexões.
Você acha que essa visão de liderança tem um aspecto feminino?
Sim, acho que a liderança com doação e acolhimento é uma sensibilidade mais feminina. Vejo isso na minha relação pessoal, onde a empatia e o olhar para o outro estão mais presentes.
Você acabou de ser mãe e retornou de licença-maternidade. Como está sendo a experiência até aqui?
Está sendo incrível. Mesmo não tendo o sonho de ser mãe, com meu marido começamos a pensar nisso juntos. A gestação foi tranquila e o nascimento do meu filho trouxe muita felicidade, em especial para os avós, que ganharam o primeiro neto. E, assim como na liderança, na maternidade também há doação – do corpo, do alimento, do tempo. Mas confesso que, em determino momento, senti um pouco de solidão durante a licença maternidade e, pensando nisso, tive a ideia de criar um grupo com outras mães na Opea, para conversarmos e compartilharmos experiências, dicas, anseios. Voltei ao trabalho superanimada com os novos – e velhos – desafios e para rever e conversar com todos. Enquanto isso, nosso bebê está ficando com o pai durante a licença paternidade, e isso me deixa mais tranquila.
Você também tem paixão pela dança, não é?
Sempre tive. Comecei cedo fazendo aulas de jazz e street dance. Na adolescência, fiz aulas de dança de salão e testei vários estilos: forró, samba, bolero, zouk, tango, sertanejo, salsa, bachata e por aí vai. A dança, a música, me tocam muito e já marcaram diversos momentos especiais na minha vida. Hoje estão marcadas em mim – a primeira tatuagem que eu fiz foi justamente a de um casal dançando.