Conte um pouco da sua formação e de que como você escolheu sua profissão.
Sou economista, e na verdade, esta não foi minha primeira opção quando eu era adolescente. Minha vontade inicial era ir para a área de pesquisa, relacionada à biotecnologia. Estudei para isso no colégio, me interessava bastante. Mas com o tempo, e por conta das opções existentes, acabei optando por Economia, que também era uma área que eu me identificava bastante. Foi um segundo amor, digamos assim.
Você foi trabalhar direto no mercado financeiro?
Sim, e direto em securitização. Meu primeiro emprego foi numa vaga de trainee na Brazilian Securities, e desde então minha atuação é Estruturação.
Como é ser mulher nessa área da securitização?
Hoje a presença feminina é mais comum, as mulheres vêm conseguindo conquistar mais espaço neste mercado, mas quando comecei a concentração da presença masculina era bem evidente, especialmente em cargos de liderança. Nunca senti grandes dificuldades na pele, mas sei que isso foi muito pela força, coragem e a determinação das mulheres das gerações anteriores que enfrentaram desafios muito maiores e abriram o caminho. É gratificante crescer em um mercado que vem se tornando mais inclusivo para mulheres.
Você é mãe de uma menina e está à espera do segundo filho. Como foi conciliar a maternidade com o trabalho?
A maternidade sempre foi um sonho, mas planejei muito para encontrar o melhor momento. Eu tive uma fase que falei para mim mesma que eu não daria conta, me conhecendo, porque eu me cobro muito. E para colocar um filho no mundo, essa minha cobrança de ser uma boa mãe, seria pesada demais para mim. Quando tive uma equipe estruturada, senti que podia ser um bom momento. E após eu engravidar fui informada de uma fusão na empresa, que foi desafiador. O retorno pós-maternidade é sempre difícil, com sentimento dividido entre ser mãe e profissional. Mas com o tempo, compreendi que a qualidade do tempo que eu passo com a minha filha vale muito mais do que a quantidade em si.
E agora que você espera o segundo filho, mudou algo?
O sonhado segundo filho chegou sem avisar. Sei que será desafiador, porque são dois bebês, mas superei muitas das inseguranças e medos na primeira maternidade. Esta segunda gestação já está sendo diferente, mais leve. Estou mais tranquila.
O que te motiva no trabalho hoje?
Estar em uma empresa solida com grande potencial de crescimento. Sou movida a desafios e gosto de estar em projetos novos e diferentes. Poder ser parte da Opea, ter um espaço para desempenhar o meu trabalho, desenvolver um time e ter perspectivas de crescimento é o que mais me motiva.
Quem te motiva profissionalmente ou pessoalmente?
Meus pais são grandes motivações. Eles são exemplos de trabalho duro e força. Hoje tento ser uma versão mais equilibrada deles, especialmente para conseguir estabelecer uma relação saudável entre trabalho e família.
Para finalizar: o que é felicidade para você?
Felicidade é ter equilíbrio entre trabalho, bem-estar, família, amigos e lazer. Para mim, ser feliz é estar completa, tanto no pessoal quanto no profissional. O equilíbrio é essencial.
Eu sou uma grande incentivadora para quem quer conquistar seu espaço e seus sonhos. Muitas coisas não vieram fácil, estudei em escola pública pequena. Sempre tive que correr atrás, mas acredito que tudo é possível quando de fato queremos e nos dedicamos. Claro que há vários fatores envolvidos, mas a intensidade da dedicação e do empenho fazem toda a diferença.